quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Dueto - Léo & Ana

Foto cor: Márcia Monteiro / Foto PB: Ivan Lima

O novo vestido escondia-lhe os pés. Teve que colocar o sapato vermelho que comprara ano passado para o reveillon e que machucava-lhe o calcanhar. Era o mais alto que tinha, então era ele, não teve dúvidas!

Léo estava triste, cabisbaixo, sofrido, de um sofrimento que estranhava porque tinha uma vida feliz e satisfeira, estava aceitando a vida da maneira que ela era e não estava acostumado a esse tipo de sentimento.

Ana estava eufórica. Quase quinze anos se passaram desde a última vez que vira Léo. Era ainda uma adolescente quando se viram pela última vez. Agora, com seus trinta e um anos estava uma bela mulher, mas ainda um pouco insegura. Queria impressionar... _ Será que devo trocar o vestido? Ou talvez colocar aquela calça justa... Não..., meio vulgar para um primeiro encontro. Na verdade, um reencontro. Manteve o vestido novo, retocou o batom e saiu.

Léo encontrou o que queria, uma mulher madura, segura que tinha resolvido encontrar o homem da sua vida e sentia que o homem era ele mesmo, alguns anos depois. É bem verdade que não estava ainda completamente preparado, faltava-lhe confiança de que o pouco que tinha para se sentir que nada estava lhe faltando estava próximo e continuou com sua impetuosidade, porque impetuoso ele sabia que era.

Ana adorava o jeito impetuoso e destemido de Léo. Podia o céu desabar que Léo estaria lá de pé e punhos arregaçados para reconstruir tudo de forma ainda mais colossal. E como era alto-astral, otimista! Só via o lado bom. Por vezes exagerava um pouco no seu auto-otimismo e chegava a ser confiante demais. Ana julgava Léo um tanto sonhador e idealista, mas sentia-se bem com isso. Era de certa forma acolhedor ouvir todas aquelas conjecturas que Léo tinha a respeito da vida e de como o universo funciona.

Léo não se importava com o que Ana não gostava ou gostava pela metade. Ele sabia o que queria, que estava evoluindo e desejava que Ana evoluísse com ele, o seguisse porque sentia que ela queria isso, precisava disso, sentar a beira do "rio" e colocar os pés nas águas frias daquela praia de nome francês, como Léo se sentia. Por enquanto ele fazia isso por ela, segurando-lhe as mãos, delicadamente.

Léo perturbava Ana profundamente. Ana decidiu se ausentar.

Um silêncio de sete dias se sucedeu desde que Ana se ausentou... Foram sete dias de introspecção para Ana e de agonia para Léo, mas era preciso. Nesse período Léo cantou para Ana ao telefone, uma canção de amor. Os dois cantaram juntos, ambos tiveram crises existenciais. Decidiram que vão escrever juntos. É o início de uma nova história.

Léo se sentia distante de ana, parecia que não se conheciam e não entendia porque esse amor era tão intenso, tão determinante, tão diferente de tudo que ele tinha experimentado até então, na sua longa vivência. parecia que Ana não se entregava como antes, no tempo que passaram juntos e, agora eram outras pessoas cujo destino era confuso para ele.

8 comentários:

ivan alves de lima disse...

nossa, fotógrafa márcia, mas que conto lindo. parece que você não apenas fotografa bem, mas escreve bem também.

ivan alves de lima disse...

obrigado. graças ao seu blog estou indo fundo na voz e na poesia de nora jones, a filha maravilhosa de ravi chancar.bjs.

Bia Pedrosa disse...

escreve bem tanto com a luz quanto com as palavras.

passando pra conhecer seu espaço.

ivan alves de lima disse...

não interrompa o conto, léo pode ficar triste e léo triste não é bom.

ivan alves de lima disse...

quando puder abra essa página de definição de amor e paixão:

http://ivanalvesdelima.blogspot.com/2008/05/amor-e-paixo.html

ivan alves de lima disse...

que bom que a sua ana se aquietou. estou curioso para ver como será a nova história de ana e leo.

Alice Monteiro disse...

Querida Marcinha, gostei do conto. Parece um roteiro de filme. Bravo! Beijos, Dinda

Alice Monteiro disse...

Cada vez gosto mais do conto. Ele fala das dores da alma, da entrega, da complexidade dos seres. Sentimentos difíceis de serem abordados e descritos numa história inacabada.
Te amo. Beijos.